IRPF 2026: atenção redobrada para empresários da construção civil

Por Evandro Klappoth, Diretor Técnico Conjel Contabilidade

A declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exige atenção todos os anos, mas em 2026 o cuidado deve ser maior. O avanço da digitalização fiscal ampliou significativamente a capacidade de fiscalização da Receita Federal, que hoje cruza automaticamente informações de bancos, cartórios, operadoras de cartão, declarações empresariais e sistemas eletrônicos.

Na prática, a Receita já possui grande parte dos dados antes mesmo da entrega da declaração. Por isso, inconsistências são identificadas rapidamente, gerando malha fina, notificações e autuações.

No setor da construção civil esse risco aumenta, pois é comum ocorrerem movimentações entre pessoa física e pessoa jurídica sem formalização adequada — retiradas financeiras, pagamento de despesas pessoais pela empresa, compra de imóveis ou empréstimos informais. Todas essas operações são rastreáveis.

Distribuição de lucros

Um dos principais pontos de atenção é a distribuição de lucros. Ela é isenta de imposto apenas quando existe contabilidade regular e lucro efetivamente apurado. Caso contrário, a Receita pode reclassificar a retirada como pró-labore, gerando imposto de renda, INSS, multas e juros retroativos.

Evolução patrimonial

Outro motivo frequente de malha fina é o aumento patrimonial incompatível com a renda declarada. A Receita verifica se a aquisição de bens, especialmente imóveis, pode ser justificada pelos rendimentos informados.

Situações comuns no setor, como aquisição de terreno em nome do sócio com recursos da empresa ou permutas não declaradas corretamente, costumam gerar inconsistências. Não basta declarar o bem, é necessário comprovar a origem dos recursos.

Compra e venda de imóveis

A venda de imóveis também exige atenção. Havendo lucro na operação, pode existir imposto sobre ganho de capital, que deve ser apurado no momento da venda e não apenas na declaração anual.

Como os cartórios informam diretamente à Receita as transações realizadas, a omissão da operação é facilmente identificada. Gastos comprovados com reformas podem reduzir o imposto, desde que documentados.

Organização preventiva

Empréstimos informais entre sócio e empresa também são frequentes e, quando não registrados corretamente, podem ser interpretados como renda omitida. O ideal é formalizar essas operações contabilmente.

O principal erro ainda é deixar a organização apenas para o período de entrega. O IRPF é construído ao longo do ano. Manter documentos organizados e alinhar as movimentações da empresa com a pessoa física reduz riscos e protege o patrimônio do empresário.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, declarar corretamente tornou-se uma questão de segurança financeira e jurídica.

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