Construção civil na reta final de 2026

O que precisa entrar no radar das empresas antes da virada para 2027

Por Evandro Klappoth, diretor-técnico Conjel Contabilidade

Depois de um ano dominado pelas discussões sobre a Reforma Tributária, o último trimestre de 2026 pede uma mudança de postura. Para as empresas da construção civil, o tema já não deve ficar restrito a palestras e projeções: chegou a hora de transformar as novas regras em decisões sobre contratos, preços, sistemas, fornecedores e caixa. A virada para 2027 inaugura uma etapa mais concreta da transição, com a CBS substituindo PIS e Cofins e novas rotinas de apuração e documentação fiscal.

Revisar contratos e orçamentos de longo prazo. Obras atravessam exercícios, recebem medições em datas diferentes e convivem com reajustes, retenções e aditivos. Contratos em andamento e novas propostas precisam deixar claro quem absorve mudanças tributárias, como os novos tributos serão destacados e de que forma eventual alteração de carga repercutirá no preço. Também é importante revisar memoriais de cálculo, composição do BDI, cronogramas de faturamento e cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro. O contrato assinado em 2026 pode gerar efeitos tributários por vários anos.

Testar documentos fiscais e integrações. A preparação para 2027 exige sistemas capazes de tratar CBS e IBS, classificações tributárias, créditos e novas informações nos documentos eletrônicos. Financeiro, fiscal, suprimentos, comercial e tecnologia precisam testar o fluxo completo, da contratação ao pagamento. Não basta o sistema emitir a nota: os dados devem chegar corretamente à apuração, à contabilidade e ao controle de cada obra. Cadastros de serviços, materiais, imóveis, clientes e fornecedores merecem uma revisão antes de dezembro.

Mapear créditos e a cadeia de fornecedores. No novo modelo, a qualidade da informação fiscal recebida ganha peso. A empresa deve identificar quais aquisições geram crédito, quais fornecedores estão preparados para destacar corretamente os tributos e onde há risco de perda ou atraso no aproveitamento. Na construção civil, com cadeias extensas de materiais, locações e serviços terceirizados, esse mapeamento afeta custo, margem e escolha de parceiros. A análise não deve olhar apenas o preço de compra, mas o custo efetivo depois dos créditos.

Simular o caixa de 2027. A transição pode mudar o momento do recolhimento, o aproveitamento de créditos e a relação entre faturamento e recebimento. Empresas do Simples Nacional precisam de atenção adicional: a opção entre manter CBS e IBS dentro do regime ou recolhê-los pelo regime regular deve ser avaliada conforme o perfil dos clientes e dos créditos. A escolha para o primeiro semestre de 2027 ocorre em setembro de 2026. Além disso, as novas regras do Simples preveem, a partir de janeiro, o reconhecimento da receita pelo faturamento, sem a opção mensal pelo regime de caixa. Para contratos com recebimentos longos, a projeção financeira torna-se indispensável.

Organizar dados dos empreendimentos. Incorporações, loteamentos, vendas, locações e demais operações imobiliárias têm regras próprias na Reforma. Por isso, é necessário conferir cadastros, matrículas, custos por empreendimento, valores de aquisição, contratos e informações que alimentarão o CIB e o Sinter. Dados incompletos hoje podem dificultar cálculos, comprovações e obrigações acessórias amanhã.

O melhor fechamento de 2026 não será o da empresa que apenas acompanhou as mudanças, mas o daquela que chegar a janeiro sabendo como faturar, formar preço, contratar, comprar e controlar seus créditos. A preparação deve ser conjunta, com direção, áreas operacionais, contador, jurídico e fornecedores de tecnologia. Na construção civil, onde cada decisão repercute por meses ou anos, antecipar ajustes é uma forma direta de proteger margem, caixa e segurança contratual.

Conte com a Conjel para preparar sua empresa para esse novo cenário.

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